A paisagem é estéril ou frondosa de acordo com os olhos com que escolhemos olhar para ela.
O
tom da terra seca impregna-me os olhos, seca-os, faz-me chorar e pinta
de ocre tudo o que me rodeia. A areia fina entra-me pela roupa e
cola-se-me ao corpo secando-me a pele. Tudo é final de algo não
começado, não há vida nem esperança só o vazio de um ventre estéril.
Se fechar os olhos e me imaginar num Colo Paterno, respirar fundo e me deixar inspirar pelo Seu amor, quando abro os olhos do vazio nasceu a esperança, do estéril brotou a criação e os meus olhos deixam de doer e quando choram é de gratidão e alegria por tamanha misericórdia.
Nada
aqui é acaso, tudo se encaixa e faz sentido se visto e entendido à luz
do Espírito Santo. Nem as quedas o são na verdade, são etapas dum
caminho que percorro de mão dada com Cristo. As árvores e flores, os
riachos e montanhas vão sendo pintados a cada passo deste meu caminhar.
As subidas e descidas são provas da minha capacidade de ver o mundo com
os olhos do coração e não me deixar inundar pela areia seca do mundo,
sabendo que não estou só, afinal que pai deixa o seu filho às agruras da
vida? Muito menos o fará Deus Pai do Céu, que nos ama e nos quer sempre
junto dele.
Vejo muitas vezes a terra ocre à minha
volta. Perco-me muitas vezes no deserto estéril e seco. Mas assim como o
Sol nasce todas as manhãs, a minha fé acaba (começa?) sempre por me
levar de novo ao Colo quente e seguro que me acalma e me perdoa com toda
a misericórdia.
Neste caminho de regresso a casa vou encontrando intermediários que, à semelhança de Cristo, me dão a mão e me indicam a estrada certa. E quando lá chego, percebo que nunca de lá saíra, os meus olhos é me traíram.
E assim acrescento mais um tijolo nesta estrada amarela a caminho do arco-íris...
Liliana
"É um cristal indestrutível, duma transparência infinita, duma luminosidade quase insuportável (um grau a mais ter-me-ia aniquilado) e a tender para o azul, um mundo, um outro mundo dum fulgor e duma densidade que atiram o nosso para as sombras frágeis dos sonhos inacabados. É a realidade, é a verdade, vejo-a da margem obscura onde ainda estou retido."
André Frossard - "Deus existe, ei encontrei-o!"

